ORIGEM DOS SOBRENOMES

(Origen y surgimiento de los apellidos)
Por Liliana B. Librandi
Tradução – Equipe Brava Gente

Os nomes pessoais primitivos surgem, indubitavelmente, pouco depois da invenção do idioma falado, nas idades não registradas que precedem a história moderna. Durante milhares de anos, os nomes eram as únicas designações que homens e mulheres utilizaram, quando o mundo era menos populoso que hoje e cada homem conhecia seu vizinho; uma indicação de endereço era suficiente para encontrar ou localizar uma pessoa. Com a invenção da escrita e um aumento maior da população mundial, isto foi ficando cada vez mais complexo, fazendo-se necessária uma mudança. Com o passar dos séculos, foram se formando as distintas línguas e assim nasceu um novo problema: a designação das pessoas.

Uma das línguas mais importantes foi a latina, assim chamada porque primitivamente era falada em uma parte reduzida da região do Lácio. Foi uma das mais importantes, pois não só sua estrutura lógica ajudava a torná-la muito útil, como era falada em uma região muito próspera em sua época. O latim forma com o osco e o umbro o grupo das línguas itálicas, sendo um ramo do tronco lingüístico indo-europeu. Estas três línguas não tiveram destino semelhante; enquanto o osco e o umbro permaneceram em sua condição de dialetos rústicos até desaparecer, o latim evoluiu em harmonia com o auge político e cultural de Roma; sobreviveu à grandeza de Roma, continuando como língua comum de toda a Europa culta durante a Idade Média e começo da Moderna. Depois da divisão do Império Romano em Ocidente e Oriente, o território europeu que falava latim passou a se chamar România, e romances as diversas falas latinas. Em alguns dos territórios conquistados chegou a ser língua popular, principalmente na Itália e Gália Transalpina. Na Península Ibérica, a Bética foi latinizada; na Andaluzia, especialmente, os bascos nunca a falaram; nos países balcânicos e da Ásia Menor, o grego conservou-se como língua de cultura; e os árabes não a utilizaram na Ásia. Na Dácia, alcançou caráter popular e subsiste como grande ilha lingüística na Romênia.

As línguas provenientes do latim são: italiano, francês, português, castelhano e romeno. Derivam do latim o catalão e o provençal. Assim se estabelece a origem comum dos idiomas de onde nascem os sobrenomes. Compreender sua morfologia e etimologia nos ajudará a seguir sua rota ao longo da história.

Os romanos foram os primeiros a observar que com a elevação da sua civilização, surgia a necessidade de designações específicas para reclamar seus direitos a heranças e classes. Assim, inventaram um sistema complexo, em que cada patrício recebia vários nomes. Nenhum deles, no entanto, correspondeu exatamente aos sobrenomes como nós os conhecemos hoje em dia, para “o nome do clã”, ainda que hereditário. Também os escravos e outras pessoas relacionadas receberam nomes. Os exemplos são os Cláudios, a casa dos Tibérios e os Julianos. A lei estabelecia que quando um escravo era emancipado tomava os dois primeiros nomes de quem o liberava e os antepunha ao seu; quando era uma pessoa adotada, os nomes do adotante eram postos em seguida, de maneira a se distinguir os libertos das pessoas livres. Os romanos utilizavam primeiro o NOMEN, equivalente ao nome ou características físicas descritivas, de índole tradicional. Em seguida, no meio, ia o COGNOMEN, que constituía o sobrenome ou linhagem da família. Finalmente, figurava o AGNOMEN, que era descritivo de alguma qualidade, ofício, caráter pessoal ou defeito da pessoa. Às vezes, se antepunha um PRAENOMEN antes do NOMEN para acrescentar alguma qualidade especial ou mérito notório. Um exemplo do sistema romano de identificação pessoal é o de CAIO JÚLIO CÉSAR, cujo nome romano completo era: GAIUS LULIUS CAESAR. GAIUS era o NOMEN, que indicava “bonito”, “belo”, “charmoso”. LULIUS era o COGNOMEN, que indicava que provinha da linhagem ou família (Julia). Finalmente, CAESAR significava “de cabelos longos” em latim, o que podia descrever uma característica física ao nascer, ou talvez alguma qualidade tradicional, visto que Júlio César era calvo na idade adulta. Este sistema foi aplicado por lei em todo o Império Romano, incluindo a Hispânia, que compreendia a Península Ibérica. Podemos apreciar a complexidade do resultado de um sobrenome quando o mesmo foi nome na época romana, pois a origem do liberto ou do adotado podia ser muito variada, tendo em conta que o Império Romano dominava e escravizava quase tudo que era conhecido naquele momento como mundo civilizado.

Este sistema demonstrou ser uma inovação temporal e complexa; ao ser derrubado o Império Ocidental pelos invasores bárbaros, houve uma reversão ao costume primitivo de utilizar um só nome. Apenas gradualmente, com o passar dos séculos e a complexidade crescente da sociedade civilizada, fez-se necessárias designações mais específicas. Enquanto se pode remontar às raízes de nosso sistema de nomes familiares aos precoces tempos civilizados, vemos que os apelidos hereditários, como os conhecemos hoje, surgem aproximadamente a partir do ano 900DC.

Desta época em diante era agregado ao nome de batismo outro nome, o qual hoje em dia conhecemos como sobrenome. Um sobrenome, então, é um  nome agregado a outro batismal. Estas designações são de vários tipos e se classificam segundo a origem.

1- Sobrenomes em geral

A maioria dos sobrenomes entra em cinco grupos gerais, os quais, em muitos casos estão inter-relacionados:

Formados do nome do Senhor feudal: isto se dá especialmente no que hoje conhecemos como Europa central e Península Ibérica, utilizando o sobrenome de seu senhor para indicar a vassalagem do súdito e as obrigações por parte do senhor; quando de algum ato heróico em ajuda a seu senhor, este lhe concedia solar e escudo de armas, que representavam desde então sua linhagem, e se agregava um “sobrenome”, o qual podia ser do lugar de onde lhe havia sido outorgado o solar. Por exemplo: DE AGUILLERA.

Formados por características corporais ou pessoais da pessoa que dá origem ao referido sobrenome: são chamados antropomórficos. Por exemplo: BIANCO e suas derivações: BIANCHI, BLANCO; GROSSO, WHITE, BLACK, ROSSO ou ROSSI, CARAVACA, MALATESTA, BELLAGAMBA; virtudes: BONTÈ, LE VAILLANT, GENTILE, AMADO etc. Assim é para todos os idiomas.

Formados pela localização ou lugar de residência: normalmente chamados toponímicos: ARCE, CABAÑAS, OLMOS, HALLE, MONTAGNE, BOSCO, FOREST etc. Identificavam uma família com um lugar ou, como explicamos, por ganhar um direito a herança por parte do senhor feudal. Em alguns casos, ao nascer se colocava na criança um sobrenome patronímico e depois algum descendente tomava um toponímico, o qual era adotado dali em diante.

Formados a partir da ocupação ou profissão. Por exemplo: COOK, CARRERO, BOULANGER etc. Foram formados especialmente na Idade Média, quando os ofícios eram hereditários.

Formados pelo nome do pai: agregados ao nome de batismo, são designados  patronímicos. Exemplos:

Na Península Ibérica os sobrenomes hoje conhecidos com a desinência Z são indicativos de:  Fernando: FERNÁNDEZ; Sancho: SÁNCHEZ; Gonzalo: GONZÁLEZ; Nuño: NÚÑEZ; Rui: RUIZ.

Nos italianos como DI GIOVANNI, DI GIULIANNI, o di indica “filho de”.

Com relação aos sobrenomes escoceses e irlandeses, cabe dizer que no século XI começou-se a utilizar um nome como sobrenome para preservar a genealogia e história. Devia referir-se a um antepassado que havia se destacado por seu valor, sabedoria ou alguma virtude. Tomava-se esse nome como sobrenome, antepondo-se o prefixo MAC, que quer dizer “filho de”, e nos demais o prefixo UA, modernizado em O’, que significa “neto ou descendente de”. Outros utilizaram o prefixo FITZ que é sinônimo de MAC. Distinguindo-se desta maneira os diversos clãs, os quais se fixavam  num território, é possível seguir sua origem até tempos bem remotos na história .

Os países nórdicos, embora formem uma península e tenham uma origem comum, mantiveram separados seu idioma e tradições. Os três têm por costume utilizar sobrenomes patronímicos. Se o filho for homem, na Dinamarca e Noruega é agregada a terminação sen ao nome de batismo do pai. Por exemplo: CHRISTENSEN (filho de Christen), ERICSEN (filho de Eric). No caso das mulheres, nesses países o sobrenome seria CHRISTENDATTER e ERICDATTER. Na Suécia, o sobrenome do homem termina em son. Para os mesmos sobrenomes paternos, será CHRISTENSON e ERICSON. Para as meninas o sufixo é dotter; CHRISTENDOTTER e ERICDOTTER. Na Argentina, não há esta distinção, utilizando-se o patronímico masculino para toda a família.

Na Espanha, existiu a característica de utilização de sobrenomes maternos e paternos, que com o passar do tempo, na nobreza, foram eleitos por cada descendente para indicar posição social, direito a herança ou direitos hereditários. Até 1700 aproximadamente, se manteve este costume na Argentina.

2- Sobrenomes italianos

A diferenciação dos sobrenomes na Itália é particular, e aqui farei um detalhamento minucioso, pois cada região mantinha seus dialetos, os quais nos ajudam a distinguir a origem.

Muitos sobrenomes italianos terminam em diminutivos afetivos como: in-ini, -ino, -etti, -etto, -ello. Por exemplo: MARCOLLINI, BARTOLINI etc, usualmente aplicados a um nome..

Os napolitanos –illo, indicando “pequeno”, em contraste com –one, -acio, indicativo de “grande”.

A terminação –ucci é indicativo de “descendente de”. Por exemplo: DEUCCI.

Os que terminam em –dda, -ddo são característicos da região da Sardegna.

Na Sicilia se pode traçar, em muitos sobrenomes, a origem até um único grupo étnico, pois muitos do ditos sobrenomes indicam palavras de de origem árabe, como por exemplo: AIELLO, de “ayal”: veado ou cervo; CANGEMI, de “hajjam”, que significa “um doutor de sanguessugas”; LA MAIDA, de “maidah”: livro; SCIORTINO, de “shurtih”: sentinela. Vários sobrenomes sicilianos têm origem espanhola, com algumas variações como: SANCEZ, MARTINES, VALENZA, CORRADO, CARAVAGLIA, de “Caravahales”. Outros sobrenomes espanhóis – como LOPES – nos ajudam a traçar sua origem até a Albânia, quando esta região foi invadida pelos turcos otomanos, daí não terminar em z.

Há a origem judia em sobrenomes como: MOSA ou MOSSA, de Moisés; PALUMBO, que é uma tradução direta de Jonas; D’ANGELO, uma tradução de Malaquias.

Da região de origem: GENOVESE, DI NAPOLI, CIPRIANI e NICOSIA, de Chipre; além de muitas cidades sicilianas como: PALERMO, CORLEONE.

Crianças cujos pais eram desconhecidos ou ilegítimos recebiam sobrenomes como: ESPOSITO (exposto), INNOCENTE ou INNOCENZO, dI DIO (de Deus), D’AMATO, dI GIOIA etc.

Ocorrendo guerras na época, em todos os territórios, e sendo soldado ou guerreiro profissão paga, ainda mais não sendo pela pilhagem de guerra, se alistavam nos exércitos de um rei homens das mais variadas origens. Nesta época, muitos sobrenomes indicam a origem do pai: LO TURCO, TEDESCO, FRANCESE, FRANCO, ALEMAN, SARRACENO, MORO, LA GRECA, MORELLI etc.

Considerando estas características mais as variantes que foram acontecendo durante décadas ao serem escritas, e as que ao entrar em nosso país ocorreram – pois muitos não traziam documentação ou quem as anotava não confirmava o sobrenome dado, havendo mudanças como CULLIARI no lugar de CUGLIARI -, é possível facilitar (em parte) encontrar e rastrear o lugar ou região que deu origem ao sobrenome de nossos antepassados. Cito como exemplo meu sobrenome paterno, o qual originalmente era LIPRANDO, cuja origem é atribuída à região da Lombardia. Analisando vários fatos concomitantes e falando do ano 1000 DC, meu sobrenome foi-se alterando em: ALIPRANDI, ARIPRANDI, ALIBRANDI, PRANDI, LIBRANDO, LIPRANDI, LIBRANDI, como alguns exemplos. Sendo todos, porém, de uma mesma origem.

3- Sobrenomes judeus

Os nomes e sobrenomes judeus merecem um capítulo à parte, tendo alguns pontos em comum com os ocidentais.

Os judeus ashkenazim colocam nos filhos nomes dos ascendentes falecidos. Isto tem relação com a crença nas reencarnações das almas e com a honra e lembrança dos mortos. Os judeus sefaradim colocam nos filhos os nomes dos avós, que geralmente estão vivos. Assim, numa árvore genealógica serafadi encontra-se o mesmo nome a cada duas gerações. Este costume passa a existir entre os judeus depois de serem expulsos da Espanha durante a Inquisição ou que escaparam a ela.

Significado dos sobrenomes:

Cores: ROIT, ROTH (vermelho); GRUN, GRIEN (verde); WAIS, WEIS (branco); SCHWARTZ, SWARTY (negro); GELB, GEL (amarelo).

Elementos da natureza: BERG (montanha); TAL, THAL (vale); WASSER (água); FELD (campo); STEIN (pedra); STERN (estrela).

Vegetação: BAUM, BOIM (árvore); BLAT (folha); BLUM (flor); ROSE (rosa); HOLZ (madeira).

Ofícios: BEKER (padeiro); SCHNEIDER (alfaiate); SCHREIBER (escrevente); SINGER (cantor).

Características físicas. SHEIN, SHEN (lindo); LANG (alto); GROSS, Grois (grande), KLEIN (pequeno).

As palavras foram utilizadas de forma simples, combinadas e agregadas a sílabas como son (filho), man (homem), er, que designa lugar e é adicionada preferencialmente ao final do nome da cidade. Em muitos países exigiram que os sobrenomes terminassem com o uso do idioma local, como o sufixo -ski ou -sky, -ska (feminino), -as, -iak, -shvili, -wicz ou -vich. Assim, com a mesma raíz temos, por exemplo: GOLD, que deriva em GOLDMAN, GOLDROSSEN, GOLDANSKI, GOLDANSKA, GOLDAS, GOLDIAK, GOLDWICZ etc. A terminação indica o idioma falado no país de origem do sobrenome.

Sobrenomes espanhóis: dentre os sobrenomes de judeus espanhóis é fácil reconhecer ofícios, designados em árabe ou hebraico como: AMZALAG (joalheiro); SABAN (saboeiro); NAGAR (carpinteiro); HADDAD (ferreiro); HAKIM (médico).

Profissões relacionadas com a Sinagoga: HAZAN (cantor); MELAMED (maestro); DAYAN (juíz).

Títulos honoríficos: NAVON (sábio); MORENO (professor) e GABAY (oficial).

Sobrenomes poloneses: O popular sobrenome Peres, é muitas vezes escrito Perez, com a terminação idiomática espanhola. No entanto, não é de origem espanhola e sim uma palavra hebraica que designa os capítulos em que o Torah (os cinco livros de Moisés) se divide para a leitura semanal, de modo a ser lido por completo durante o ano.

Muitos sobrenomes espanhóis adquiriram pronúncia ashkenazi na Polônia, como: CASTELANSKI e LUSKI (que vem de Huesca, Espanha). Ou assumiram como sobrenome SSPANIER (espanhol), FREMDER (estranho) ou AUSLANDER (estrangeiro). Na Itália, a Inquisição foi instaurada depois da Espanha, de modo que houve judeus italianos que emigraram para a Polônia. Aparece então os sobrenomes ITALIENER e WELSCH ou BLOCH, porque Itália é chamada Wloche em alemão.

Sobrenomes derivados da Bíblia: uma boa quantidade de sobrenomes judeus é derivada de nomes bíblicos e de cidades européias da Ásia Menor. Isto, muitas vezes, os faz levar consigo os vestígios do lugar em que se originou. Tomemos como exemplo de “raiz de sobrenome” o nome ABRAHAM. Filho de Abraham se diz de diferentes formas em cada idioma:

ABRAMSON, ABRAAMS, ABRAMCHIK em alemão ou holandês;
ABRAMOV ou ABRAMOFF em russo;
ABRAMOVICI, ABRAMESCU em romeno;
ABRAMSKI, ABRAMOVSKI em línguas eslavas;
ABRAMINO em espanhol;
ABRAMELO em italiano;
ABRAMIAN em armênio;
ABRAMI, BEN ABRAM em hebraico;
BAR ABRAM em aramaico;
ABRAMZADEK, ABRAMPUR em persa;
ABRAMSHVILI em georgiano;
BARHUM, BARHUNI em árabe.

Os judeus, em países árabes, também usaram o prefixo ibn. Existem ainda sobrenomes derivados de iniciais hebraicas, como KATZ ou KAC. São duas letras em hebraico: K e Z, iniciais das palavras Kohen Zedek, ou seja, “sacerdote justo”.

Sobrenomes femininos: Existem sobrenomes judeus que seguem o nome das mulheres, embora menos comum. Às vezes, isto ocorria porque eram viúvas, por alguma razão eram figuras dominantes na família. Por exemplo: GOLDIN vem de Golda; HANIN, de Hana; PERL, PERLES, de Rivka.

Um dado curioso apresenta o sobrenome GINICH. A filha de Gaon de Vilna chamava-se Gine e se casou com um rabino vindo da Espanha. Seus filhos e netos eram conhecidos como descendentes de Gine e adotaram o sobrenome GINICH.

Sobrenomes adquiridos ao viajar: Em sobrenomes que derivam de cidades a origem é clara. ROMANO, TOLEDANO, MINSKI, KRACOVIAC. Outras vezes o sobrenome mostra o caminho que os judeus seguiram na diáspora. Por exemplo: encontramos na Polônia sobrenomes como PEDRO, que é um nome espanhol. Foram judeus que escaparam da Inquisição espanhola no século XV. Na origem, possivelmente eram sefaradim, mas se misturaram e se adaptaram ao meio azkenazi.

Muitas avós polonesas chamam-se Sprintze. Em hebraico não se escrevem as vogais, de modo que é um nome que se escreve Sprnz, mas que em polonês se lê Sprintze. Como leríamos se puséssemos vogais  Em espanhol seria Esperanza, que escrito em hebraico e lido em polonês resulta Sprintze.

Trocas de sobrenomes: Durante as conversões forçadas na Espanha e Portugal, muitos judeus se converteram adotando novos sobrenomes, que as paróquias escolhiam para os “cristãos novos” como SALVADOR e SANTA CRUZ. Outros assumiram o sobrenome de seus padrinhos cristãos. Mais tarde, ao fugirem para a Holanda, América ou Império Turco, voltaram à religião judaica sem perder seu novo sobrenome. Assim surgiram sobrenomes como DIAS, ERRERA, ROCAS, MARIAS, FERNANDES, SILVA, GALLERO, MENDES, LOPES, PEREIRA.

As guerras foram uma causa significativa de mudança de sobrenomes. As pessoas perderam, ou quiseram perder, seus documentos e “conseguiam” um passaporte com sobrenome que não denunciava sua origem, para cruzar a salvo a fronteira ou escapar do serviço militar (isto na França, Espanha, Itália etc). Ao final do século XIX, o czar da Rússia exigia 25 anos de serviço militar obrigatório. Muitos imigrantes deixaram a Rússia e Ucrânia com passaportes alterados para evitar uma vida dedicada ao exército do czar. Outra questão é que somos filhos de imigrantes e vários sobrenomes se desfiguraram ao mudar país, de idioma. Por vezes, os funcionários da alfândega, ou migrações, outras vezes mesmo pelo imigrante que não sabia a língua local ou escrevia mal. Por isso, muitos integrantes da mesma família possuem sobrenomes similares foneticamente mas graficamente diferentes.

Referências:

Latin
Halperin, Gregorio – Editora Estrada, 1952.

Los irlandeses en la Argentina: su actuación y descendencia
Coghlan, Eduardo A. - Livraria Antonio Casares, 1987

Origen de los apellidos
Colins, Ron

Apellidos escandinavos y judíos
Skovgaard, Carlos

Dicas de pesquisas:

Dicionário sefaradi de sobrenomes
Faiguenboim, Giulherme; Campagnano, Anna Rosa; Valadares, Paulo – Editora Fraiha, 2003

Lex fabia de nominibus approbationibusque (formação dos nomes dos cidadãos na nova Roma)

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